quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Escuramente Claro



 Uma menina, pelos 7 ou 8 anos, corria no parque. Aquela terra fria, coberta de erva, fazia crescer um sorriso na sua face. Ela deitava-se sobre o chão duro e olhava para as nuvens, muito divertida. Ela não tinha de se preocupar com nada, a não ser com os seus desenhos animados e joelhos esfolados. Tudo parecia perfeito aos olhos dela. Mas, mais tarde, ela começou a ganhar maturidade e queria crescer. Ter sucesso, fama, família e amor. Ter um corpo de “mulher grande”, ter as suas responsabilidades e até ser independente. Ela pensava que ia ser fácil, mas não é. 
 Ela agora sabe disso. Mesmo até antes de ser independente. Ela sofre calada e outras vezes destrói tudo o que está no quarto. Ela revolta-se e pensa “quem me dera voltar a sentir o que sentia nos meus 7 ou 8 anos”. Agora vocês pensam no porque de ela ser tão revoltada. E eu vou-vos explicar: ela iludiu-se com tudo. Pensava que a vida era fácil, enquanto é muito difícil até. Ela ao longo do tempo, iludia-se cada vez mais. Amigos que pareciam verdadeiros revelavam-se falsos. Amores eternos acabavam 2 semanas depois e por aí adiante … Ela costumava ser feliz, até que a felicidade tornou-se falsa também. Sorrisos falsos, respostas irónicas, silêncios, tudo na sua personalidade mudou. Ela era o contrário de tudo o que é agora. Ela era divertida, ria-se e ria-se como uma perdida por tudo e por nada.
 Com tanta revolta que ela sentia, começou a ter ódio a tudo e todos. Ela já não convivia com ninguém. Ela já não sorria, brincava, dançava ou sonhava. Ela era apenas um corpo. Um corpo sem alma. Essa alma que estava tão danificada. E de tão danificada que estava, os seus danos tiveram de passar para o corpo.
 Ela sabia que a vida não era fácil. Ela sabia que a vida não era como ela imaginava. E, o mais importante, sabia que a dor ia passar, um dia. Mas, no fundo, ela morria. Morria por dentro e, aos poucos, por fora. A dor era demais para uma pessoa só. Até que, um dia, ela decidiu desistir de tudo. Decidiu deixar os seus sonhos de criança para trás e acabar com a dor. Mas também não queria acabar com a dor, com mais dor ainda. Decidiu apenas pedir ajuda ao seu líquido e às suas bolinhas azuis. Limitou-se a consumi-los e a fechar os olhos.
 Preto. Quem diria que a cor mais escura iria ser o alívio de tanta dor? Quem diria que a cor mais escura iria ser a mais clara depois de tanto sofrimento? E foram os seus últimos pensamentos depois de ter visto a sua cor mais “escuramente clara” depois de tanto sofrimento.

6 comentários:

  1. Mais uma vez um texto lindo, Rii- Está muito profundo, gostei*

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  2. Que texto envolvente, tão repleto de tudo, tão cheio de sentimento. A música só serviu para envolver nesta magia das tuas palavras, nesta clareza do teu sentir.
    Lindo de se ler, e acredito que sejas uma bonita pessoa somente por escreveres com esta beleza.

    Um Beijinho :)*

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  3. http://nuncadigasnuncap.blogspot.pt/ , novo link, segue de novo :)

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